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	<title>memoriafutura.org &#187; António Baldaia</title>
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	<description>Quais as imagens que devem perdurar no tempo?</description>
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		<title>REQUIEM PARA UMA UTOPIA</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Nov 2009 12:08:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriano Rangel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[António Baldaia]]></category>

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		<description><![CDATA[Onde pode levar-nos um olhar? Um momento fixado por uma objectiva e capturado na memória: sensorial, digital ou impressa? O que pode dizer-nos um instante feito máscara? Há uns anos, estava em Hamburgo e, aproveitando a proximidade, decidi ir a Copenhaga. Azar: no dia escolhido, a Dinamarca estava paralisada por uma greve geral. Tivoli encerrado, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Onde pode levar-nos um olhar? Um momento fixado por uma objectiva e capturado na memória: sensorial, digital ou impressa? O que pode dizer-nos um instante feito máscara?</p>
<p>Há uns anos, estava em Hamburgo e, aproveitando a <i>proximidade</i>, decidi ir a Copenhaga. Azar: no dia escolhido, a Dinamarca estava paralisada por uma greve geral. Tivoli encerrado, sereia inacessível pela ausência de transportes, o único autocarro daquele dia para Christiania permitiu evitar o fracasso turístico total.</p>
<p>Fundada em 1971, a Cidade Livre ocupa um complexo de instalações militares abandonadas. O seu compromisso era criar e sustentar uma comunidade auto-governada, onde cada um seria livre de desenvolver e expressar a sua identidade. Ausência de impostos e rendas e estabelecimento de regras por consenso são duas características de um território onde não é reconhecido o direito de propriedade sobre imóveis e são autorizados o consumo e a transacção de drogas leves.</p>
<p>Não surpreende, pois, que o Estado dinamarquês tenha tentado, desde cedo, pôr cobro ao desenvolvimento de um “enclave anarquista”, multiplicando as tentativas judiciais para expulsar os “christianistas”, tidos como perturbadores da paz e da ordem. Mas a “experiência social” foi sobrevivendo.</p>
<p>Regressei a Christiania no início deste ano. Cenário e alguns actores lá continuam, incluindo um transmontano que (sobre)vive vendendo gorros nepaleses alegadamente traficados por um irmão, um “vencido da vida” com vontade de regressar, mas sem condições, e com saudades do sg-filtro (que fumámos), da feijoada e de ler um jornal português&#8230; Mas é notório que o argumento está desbotado, envelhecido, fragilizado.</p>
<p>Os habitantes acabaram forçados a pagar impostos, por contrapartida ao fornecimento de água e electricidade. O mercado de derivados da <i>Cannabis Sativa</i> foi encerrado, reduzindo drasticamente o<b> </b>fluxo de visitantes e turistas (e a entrada de dinheiro, provocando danos no tecido económico comunitário). A tensão crescente na relação com as autoridades, a frequente ocorrência de tumultos e o consequente aumento das cargas policiais, foram transformando a Cidade Livre cada vez mais num “bairro-problema” – sob rigoroso controlo governamental desde 2001.</p>
<p>Após anos de negociações, os habitantes de Christiania – que bem podia ser a utópica <i>cidade sem muros nem ameias, cidade do homem, capital da alegria</i> [Zeca Afonso] – estão confrontados com mais uma iniciativa judicial, que ameaça ser decisiva. Para tentar reverter a situação, foi lançada a petição <i>Bevar (preservar) Christiania</i>, que reclamava o direito de utilização colectiva do enclave e que subscrevi no café Manefiskeren. Pelos vistos inutilmente, porque a Cidade Livre estará com os dias contados.</p>
<p>A Justiça dinamarquesa rejeitou recentemente a petição, dando razão ao governo conservador. Ainda decorrem recursos, mas o mais provável é que a “sociedade do consenso” dê lugar às sociedades dos mercados: imobiliário e conexos.</p>
<p>E eis como a memória de um olhar é também memória de aromas e sabores, de línguas e culturas, de liberdade e utopia.</p>
<p><b><i>António Baldaia</i></b></p>
<p><i><b>Charlotte Oestervang</b></i><i>: </i><i>Kim Larsen is homeless and hangs out in Christiania</i> <i>[“Fristaden Christiania 2004-2008” - Verve Books, Copenhaga]<a href="http://www.memoriafutura.org/wp-content/uploads/2009/11/mem%C3%B3ria-futura_FOTO2.jpg" mce_href="http://www.memoriafutura.org/wp-content/uploads/2009/11/memória-futura_FOTO2.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-210" title="memória futura_FOTO2" src="http://www.memoriafutura.org/wp-content/uploads/2009/11/mem%C3%B3ria-futura_FOTO2.jpg" mce_src="http://www.memoriafutura.org/wp-content/uploads/2009/11/memória-futura_FOTO2.jpg" alt="memória futura_FOTO2" height="600" width="458"></a></i></p>
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