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	<title>memoriafutura.org &#187; Nuno Martins</title>
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	<description>Quais as imagens que devem perdurar no tempo?</description>
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		<title>Tsunami de que não há memória</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 18:38:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriano Rangel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Memórias Futuras]]></category>
		<category><![CDATA[Nuno Martins]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.memoriafutura.org/wp-content/uploads/2009/10/MF.Nuno1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-186" title="MF.Nuno1" src="http://www.memoriafutura.org/wp-content/uploads/2009/10/MF.Nuno1.jpg" alt="MF.Nuno1" width="500" height="428" /></a><a href="http://www.memoriafutura.org/wp-content/uploads/2009/10/MF.Nuno2.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-187" title="MF.Nuno2" src="http://www.memoriafutura.org/wp-content/uploads/2009/10/MF.Nuno2.jpg" alt="MF.Nuno2" width="500" height="342" /></a></p>
<p>Sala de partos do Hospital de S. João. Nasce o meu filho, às 17 horas e 22 minutos, de Quinta-feira, do dia 22 de Outubro de 2009. Assisto ao parto e acabo de gravar na memória o momento mais feliz da minha vida. Apesar de estar convicto que é inesquecível, o registador de memória digital vem comigo e não pára de trabalhar. Sei lá se algum pormenor me irá escapar! Já tenho dezenas de imagens gravadas: o primeiro choro, a primeira pesagem, a primeira roupa, tudo o que é “primeiro”, está armazenado no banco digital.</p>
<p>“Logo que ele nasça, avisa!” — nas últimas semanas, ouvi sempre isto com um sorriso em tom de pena capital. É melhor não arriscar, por isso, cá vai o André na onda digital, a transmitir o seu primeiro sinal de vida por SMS, e-mail, Facebook e Twitter. As respostas não demoram e chegam num violento tsunami. Só sobrevivi à primeira onda. As outras engoli-as sem saborear.</p>
<p>Mas a família chega e traz-me novamente à tona, salvando-me com beijos e abraços fraternos. Consigo estar à superfície uns minutos.</p>
<p>Está na hora de ir embora, mas ainda há tempo para mais um mergulho de registos aqui e ali, do <em>papá paparazzi</em>.</p>
<p>Regresso a casa tarde, encharcado de mimos de uma tempestade que insiste em não parar. O meu corpo já não me deixa responder, mas ainda falta a bisavó, que não tem culpa de já não ter força nem paciência para estas tempestades modernas.</p>
<p>Chego a sua casa e lá está ela sentada no seu cantinho habitual.</p>
<p>— Bisavozinha, trago aqui o seu bisnetinho!</p>
<p>Ela sorriu e apontou para a parede onde, com espanto, deslumbrei a fotografia do André, afixada com pioneses, numa moldura de cortiça improvisada.</p>
<p>— Obrigada paizinho, mas fui mais rápida do que tu!</p>
<p>Este episódio apesar de cómico, despertou em mim alguma reflexão, porque, na verdade, a bisavó já contempla o sol da imagem, enquanto que o pai continua na tempestade&#8230;</p>
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