

CINERAMA
um filme de Inês Oliveira
com Diogo Dória, Ricardo Aibéo, António Fonseca, António Poppe, Rita Loureiro, João Cabral, Rita Durão, Pedro Hestnes
Mostra Internacional de Cinema de São Paulo > Selecção Oficial em Competição
Festival de Premiers Plans, Angers > Selecção Oficial, Fora de Competição
Nota de intenções da realizadora
O que me aconteceu neste filme foi criar caminhos e percorrê-los ao mesmo tempo.
Observei problemáticas que se prendem com a viragem de século (neste caso até de um milénio), comparei-as com as do século passado: a passagem de um “mundo” para outro (revolução industrial, novas ideologias construídas em cima das ruínas das anteriores…). Observei também a hipótese que o mundo globalizado de hoje oferece a quem quer viver à margem, por exemplo, numa Ìndia imaginária. Poder gritar à vontade e não ser ouvido – é uma angústia do nosso tempo.
Não desenvolvo uma narrativa linear, convencional, mas lanço uma: o rapto do director de uma empresa. Um acto vão, inconsequente, ignorado, abafado. Quantas são as narrativas que nos lançam diariamente as televisões e jornais, com protagonistas, antagonistas, intrigas e personagens secundárias, que depois nunca se desenvolvem ou desenlaçam? O absurdo ganha à lógica?
Apesar do cinema ser uma arte do tempo e do espaço, este filme é acima de tudo uma construção em três actos, três “écrans” de cinerama, que se aglutinam, contradizem e justapõem. Não se sintetizam. Implodem.