Este verão, na minha condição de observador, algures na ilha do Pico, senti-me directamente interpelado por uma olhar aparentemente banal. Faz toda a diferença este acto: o nascer do sol. Esta experiência converteu-se num elogio à vida. A luz transforma a compreensão dessa imagem singular que evoca a primazia da condição humana na sua contínua deslocação para a morte. Não significa tão somente um percurso de um símbolo astrológico.
Não se trata de uma visão de excessos metafóricos, nem sequer de uma visão apocalíptica. O nascer e o pôr do sol marcam a passagem e as cambiantes do tempo, da memória colectiva e na dimensão que esta se funda na lembrança (e mudança) de um estado anterior: o antes e o depois. Ficou-me a reminiscência de algo real, que se conserva para um ciclo do provir: para se criar um espaço de liberdade o qual implica transcender os limites. O sol brilha!
Prainha (Pico), 08.2009
memoriafutura.org será uma plataforma
documental encarada como uma rejeição a qualquer
valor transcendental da História. Acredita-se na
importância da imagem e da palavra e no
conhecimento profundo das coisas, natural ou
adquirido. Como tudo o que é micro pode ser
também macro no sentido de um horizonte infinito.
Sabemos que as imagens quando expandidas no
tempo, não são a glorificação nostálgica do passado.
São objecto agregador que perpetua diferentes
presentes. Este projecto parte de uma reflexão
central: a possibilidade do documental nos
proporcionar uma visão do mundo a partir
de um padrão individual, local, regional ou
mundial. E que dessa visão complexa pode
nascer uma configuração de uma memória
cultural futura.
Aspiramos ser um observatório da nossa época
dirigido ao Futuro.
Adriano Rangel


