
Distinguimos estas imagens, porque queremos intencionalmente reportar‑nos à fotografia enquanto construção de uma memória adstrita a um território. Neste caso, um tipo de fotografia documental que contém em si uma memória histórico‑arqueológica, intimamente ligada a uma cidade que, poderia ser qualquer outra cidade da actualidade, em fase de evolução. Retrato a cidade como uma paisagem, também como um espaço arquitectónico e social.
O documental revela‑se um instrumento libertador da fotografia, pois coloca‑a ao serviço da interpretação do território no seu aspecto cultural, valorizando a paisagem, e no aspecto do social, testemunhando conflitos políticos e económicos.
“A fotografia é o dispositivo com o qual se calibra os objectos da paisagem cultural em termos de ‘reprodutibilidade’. Essa reprodutibilidade percebida recentemente é que põe à disposição de Benjamin os objectos específicos da sua análise – como o desaparecimento da aura ou o relativismo histórico da noção estética de original, por exemplo.” (KRAUSS, p. 15)
Krauss, Rosalind (2002) – O fotográfico. Barcelona: Editorial Gustavo Gili.
© Adriano Rangel 01.2010
Adriano Rangel