“Pare, Escute, Olhe” denuncia a invalidação social

Terminou no passado dia 25 de Outubro a 7ª edição do  DocLisboa 2009, tendo sido um dos vencedores o documentário “Pare, Escute, Olhe” (2009, 105’), de Jorge Pelicano, conquistou dois prémios na competição portuguesa, Melhor Longa-Metragem e Melhor Montagem, e ainda o Prémio Escolas.

“Pare, Escute e Olhe” constitui uma observação sobre o despovoamento e a desertificação no norte do nosso país,  determinados pelo fecho da linha ferroviária do Tua no troço de Bragança a Mirandela. O documentário de Pelicano partindo de uma leitura de âmbito local, consegue afirmar essas realidades para todo o mundo.  Em Dezembro de 1991 uma medida política destruiu cerca de metade da linha ferroviária do Tua, comprometendo a qualidade do quotidiano das populações ameaçando o desenvolvimento e a identidade local nesta região transmontana.  Quinze anos depois dessa data, nova ameaça pairou sobre aquela linha de comboio com a construção de uma barragem. Esta obra documental evidencia as desigualdades e assimetrias entre o interior (rural) e o litoral (urbano), destacando o peso da invalidação social provocada pelo isolamento cultural do mundo rural.

A partir deste contexto “Pare, Escute, Olhe”, pode-se colocar a seguinte questão:

qual a possibilidade de o documental nos propiciar uma visão do mundo a partir de um padrão individual, local, regional e internacional?

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