
Eugène Atget
Kiosque à journaux Place Saint Sulpice, 1910
Eugène Atget
Cour à Asnières, 1912/13
Eugène Atget percorria todos os dias, desde as primeiras horas da manhã, as ruas desertas de Paris. Equipado com a sua máquina de grande formato (que, juntamente com outro material, chegava a pesar mais de 20 quilos), ele dedicava‑se a fotografar paisagens urbanas desabitadas, durante anos a fio, chegando ao fim da vida com a produção de cerca de dez mil imagens que nos fornecem um panorama geográfico muito completo da cidade de Paris da época. Mas a sua obra nunca deixará, ao longo da sua vida, de ser considerada atípica, pelo que o fotógrafo não consegue alcançar o sucesso.
O seu encontro com a fotografia terá então surgido no ano de 1899, quando, por razões de sobrevivência, Atget consegue vender 100 tiragens, imagens (prints ou clichés) à Biblioteca Histórica de Paris. A pouco e pouco, as encomendas vão‑se sucedendo e o seu trabalho começa a ser bem remunerado. Descobriu o documento (ou, melhor, a reprodução de documentos), e começa a trabalhar para várias instituições e coleccionadores privados, assim como para alguns pintores já então célebres, como Braque, Matisse ou Man Ray. É então que coloca à porta do seu atelier uma placa que diz simplesmente Documents pour Artistes. E, desde esse dia até ao final da sua vida, Atget não muda mais de profissão. Aquele que havia sido marinheiro e actor ambulante, antes de se tornar fotógrafo, provavelmente terá sido um dos primeiros profissionais da fotografia documental (se entendermos aqui a profissão de fotógrafo tanto como um meio exclusivo de autonomia económica como uma forma de dedicação exclusiva a uma única actividade).