Registo fotográfico das rotinas

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Um quotidiano dominado pela monotonia é algo que desejo nunca vir a acontecer-me. E, no entanto, sinto uma enorme atracção pelo registo fotográfico das rotinas dos outros. Como se através desses outros que fotografo eu conseguisse esconjurar os fantasmas que me perseguem. Agrada-me fotografar os olhares vazios e indecifráveis onde se ocultam gestos silenciosos e infinitamente repetidos. Ruas transbordantes de pessoas apressadas, transportes públicos, fábricas – aqui encontro as marcas perturbantes onde se confundem horários a cumprir e azáfamas amargas. Afeiçoei-me às imagens mudas dos frenesins que atravessam estes espaços. Como se través do acto fotográfico conseguisse desmoronar a melancolia dos outros.