Um quotidiano dominado pela monotonia é algo que desejo nunca vir a acontecer-me. E, no entanto, sinto uma enorme atracção pelo registo fotográfico das rotinas dos outros. Como se através desses outros que fotografo eu conseguisse esconjurar os fantasmas que me perseguem. Agrada-me fotografar os olhares vazios e indecifráveis onde se ocultam gestos silenciosos e [...]
Somos muitos no planeta e ficamos indecisos. Partilhamos o território ou dividi-mo-lo em parcelas cada vez mais pequenas? Os sanitários do tipo “performance individual” aludem a esta indeterminação com alguma eloquência. O que é mais forte?
A construção de uma memória cultural deve incluir os indícios da condição humana que se revelam no nosso quotidiano, projectando-os segundo uma perspectiva de regeneração contínua da vida do indivíduo na sua relação com o mundo.
Sala de partos do Hospital de S. João. Nasce o meu filho, às 17 horas e 22 minutos, de Quinta‐feira, do dia 22 de Outubro de 2009. Assisto ao parto e acabo de gravar na memória o momento mais feliz da minha vida. Apesar de estar convicto que é inesquecível, o registador de memória digital vem comigo e não pára de trabalhar.
East London, 3 de Janeiro de 2009, cerca das 13h
Londres foi recebida pelo ano de 2009 com uma vaga de frio. Os primeiros dias do ano estão sempre rodeados por uma aura de vago prenúncio – como se tentássemos neles ler intuitivamente as que virão a ser as marcas do futuro dos doze meses seguintes. [...]
There is a feeling amongst remaining Marxists (quite possibly including Terry Eagleton) that if the theory worked out well, everything else will follow it … and as Marx said, “all history has been a history of the class struggle”.
Entre muitas outras implicações, mais ou menos explícitas ou mais ou menos deliberadas, estas imagens propõem uma relação directa com uma ideia romântica do explorador na procura do sublime que está patente nas pinturas de Caspar David Friederich dos princípios do sec. XIX. Na tentativa de responder às questões da sobrevivência das imagens ao tempo, [...]
Na ilha em baixo, há festa improvisada ao Domingo à tarde. No monumento em
cima, há programas racionalmente implementados.
Tour Montparnasse, Paris, Agosto de 2009. A panorâmica da cidade, objecto natural e total da fotogenia desta localização, é neste caso substituída por um enfoque nos turistas, eles mesmos fotogenizáveis num exercício quase etnográfico.
A cultura visual parte da primazia do acto de observar, definindo este um código cultural mediando o nosso entendimento da realidade, desenhando eloquente e criteriosamente, novas geografias visuais.