East London, 3 de Janeiro de 2009, cerca das 13h
Londres foi recebida pelo ano de 2009 com uma vaga de frio. Os primeiros dias do ano estão sempre rodeados por uma aura de vago prenúncio – como se tentássemos neles ler intuitivamente as que virão a ser as marcas do futuro dos doze meses seguintes. Assim foi neste Janeiro gelado: a zona Este da cidade em silêncio, expectante sobre a sua transformação iminente, de paisagem pós-nuclear em centro futurista dos Jogos Olímpicos de 2012. Deambulámos pela margem do Rio Tamisa em maré baixa, também em silêncio, ainda ébrios da narrativa pessoal que então florescia, plena de promessa e inquietude. E contemplávamos os restos de outras vidas, atirados ao rio sabe-se lá quando, sabe-se lá porquê.
memoriafutura.org será uma plataforma
documental encarada como uma rejeição a qualquer
valor transcendental da História. Acredita-se na
importância da imagem e da palavra e no
conhecimento profundo das coisas, natural ou
adquirido. Como tudo o que é micro pode ser
também macro no sentido de um horizonte infinito.
Sabemos que as imagens quando expandidas no
tempo, não são a glorificação nostálgica do passado.
São objecto agregador que perpetua diferentes
presentes. Este projecto parte de uma reflexão
central: a possibilidade do documental nos
proporcionar uma visão do mundo a partir
de um padrão individual, local, regional ou
mundial. E que dessa visão complexa pode
nascer uma configuração de uma memória
cultural futura.
Aspiramos ser um observatório da nossa época
dirigido ao Futuro.
Adriano Rangel


